Guia de prática jurídica para divórcio e partilha de bens envolvendo estrangeiros na China

1. Quadro de Aplicação Jurídica

Em casos de divórcio envolvendo estrangeiros, nem todas as questões estão sujeitas à lei chinesa, e os advogados precisam primeiro identificar a "lei aplicável".


Divórcio por acordo: As partes podem concordar em aplicar as leis do país de residência habitual ou de nacionalidade de qualquer uma das partes. Caso não haja escolha, aplicar-se-á a lei do país de residência habitual comum.


Divórcio consensual: As partes podem escolher a lei de residência habitual ou a nacionalidade de qualquer uma das partes.


Divórcio litigioso: Aplica-se a lei da jurisdição (Lex Fori), o que significa que, desde que o tribunal chinês aceite o caso, os procedimentos e diretrizes do divórcio serão regidos pelo Código Civil Chinês.


Divórcio litigioso: regido pela lei do local onde o tribunal está situado (Direito Chinês).


Relações Patrimoniais: Os cônjuges podem acordar na escolha da lei aplicável. Na ausência de acordo, aplica-se a lei do domicílio habitual comum; na inexistência de domicílio comum, aplica-se a lei do país da nacionalidade comum.


Bens conjugais: As partes podem acordar sobre a lei aplicável. Na ausência de acordo, aplica-se a lei da residência habitual comum ou da nacionalidade comum.


2. Princípios Fundamentais da Divisão de Bens

A tendência judicial em 2025 mudou da "distribuição absolutamente igualitária" para o "cuidado equitativo".


Bens comuns: Salários, bônus, rendimentos de investimentos, etc., obtidos durante o casamento são geralmente considerados bens comuns.


Os bens adquiridos durante o casamento são geralmente considerados propriedade comum do casal.


Proteção da esposa e da parte não culpada: Na partilha de bens, o tribunal considerará fatores como a guarda dos filhos e se houve culpa (infidelidade, violência doméstica).


Os tribunais protegem os direitos das crianças, da esposa e da parte não culpada.


Avaliação da Contribuição: Em casos de casamento de curta duração ou quando uma das partes contribui significativamente mais do que a outra, o tribunal pode determinar uma divisão diferente de 5/5 (como 60/40 ou 70/30).


Em casamentos de curta duração ou em casos com contribuição financeira desproporcional, os tribunais podem não optar pela divisão igualitária de bens (50/50).


3. Desafios com ativos no exterior

Este é o aspecto mais complexo da prática jurídica.


Princípio Lex Rei Sitae: Os tribunais chineses geralmente não lidam diretamente com propriedades localizadas no exterior, pois isso envolve a soberania e o sistema de registro de outros países.


Imóveis: Os tribunais chineses geralmente se recusam a dividir imóveis no exterior, sugerindo que as partes resolvam a questão no país onde o imóvel está localizado.


Compensação/Plano de Compensação: Os advogados podem sugerir que o tribunal considere o valor dos ativos no exterior e equilibre o montante total dividindo-o pelos ativos nacionais, evitando assim dificuldades na execução no exterior.


Dica prática: solicite ao tribunal que divida os bens nacionais de forma a compensar o valor dos bens no exterior.


Autenticação notarial e Apostila: A comprovação de propriedade no exterior deve ser autenticada notarialmente no país de residência e reconhecida pelo Tribunal de Haia (Apostila) para ser considerada válida.


Todas as provas estrangeiras devem ser autenticadas em cartório e apostiladas para serem admitidas nos tribunais chineses.


4. Lista de verificação operacional do advogado

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